Casos de microcefalia acendem alerta na Bahia

De janeiro até este mês, a Bahia registrou aumento  no número de casos de microcefalia, se comparado a todo o ano passado. Até agora, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) notificou 13 casos, enquanto em 2014 foram registrados apenas sete.

De 2010 a novembro de 2015, a doença – caracterizada por  má-formação congênita em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada – foi diagnosticada em 70 bebês.

Em todo o estado, a cidade com maior incidência é Salvador, com 20 casos nos últimos seis anos. Os municípios de Cipó, no nordeste baiano, e Itabuna, no sul, ficaram na segunda posição, com três registros cada.

O Ministério da Saúde (MS) decretou situação de emergência em todo o Nordeste no último dia 11 – a região já totaliza 399 casos em pouco mais de três meses.

No entanto, de acordo com a Sesab, o número de registros feitos na Bahia está dentro da média esperada para o ano e é 20 vezes menor do que a quantidade de casos somados em Pernambuco (268).

“A Bahia não decretou situação de emergência visto que o número de casos está dentro da normalidade”, informou a assessoria de comunicação da secretaria, por meio de nota.

Embora médicos suspeitem que a elevação no número de casos de microcefalia possa estar relacionada com doenças infectocontagiosas – como zika vírus, dengue e chikungunya -, o MS informou que ainda não é possível ter certeza sobre a causa para o aumento da incidência da doença na região Nordeste.

“Todas as hipóteses estão sendo minuciosamente analisadas pelo Ministério da Saúde e qualquer conclusão neste momento é precipitada. As análises não foram finalizadas e, portanto, continuam em andamento”, informou o MS em nota.

Ainda de acordo com o órgão, o esclarecimento sobre a causa do aumento da enfermidade no Nordeste se dará após a conclusão de estudos coordenados pelo próprio ministério e outras instituições envolvidas na investigação feita no país, como a Fiocruz.

Até que a causa da doença seja confirmada, a orientação do MS é que as gestantes que residam no Nordeste adotem medidas que possam reduzir a presença de mosquitos transmissores de doenças  como zika vírus, dengue e chikungunya.

Consequências

Os bebês portadores de microcefalia nascem com perímetro cefálico (PC) menor do que o normal  – habitualmente, esta medida é superior a 33 centímetros.

A má-formação é congênita e pode ser transmitida pela mãe por meio de uma infecção ou por substâncias químicas. A doença pode ser causada, também, por bactérias, vírus e radiação.

De acordo com o médico infectologista Antônio Nascimento,  dentre as sequelas mais comuns entre os pacientes diagnosticados com a doença estão problemas relacionados a retardo mental.

“Cerca de 90% dessas crianças apresentam capacidade intelectual inferior, se comparadas às demais crianças. Geralmente, os pacientes têm dificuldades de aprendizado e de interação com o meio em que vivem”, explicou.

Grávidas devem evitar viajar para o Nordeste

Diante da possibilidade de aumento do número de casos de microcefalia, médicos do país estão desaconselhando que  grávidas viajem para o Nordeste do país, a exemplo da obstetra que acompanha a advogada baiana Juliana Almeida, 33.

Grávida de dois meses, a advogada reside em Brasília e já estava de passagens compradas para Salvador quando ouviu da médica o alerta para ficar longe de locais onde é grande a incidência de doenças causadas pelo zika vírus.

“A médica orientou que, até que a causa da doença estivesse definida, eu evitasse ir a Salvador, pois é grande a incidência de zika e dengue, por exemplo”, contou por telefone.

Por conta disso, ela precisou repensar planos para as festas de fim de ano: “Me vi obrigada a mudar meus planos, pois iria passar o Natal e o Ano Novo com a minha família. É triste, mas preciso fazer esse pequeno sacrifício pela saúde do meu filho”.

Conforme o infectologista Antônio Nascimento, embora o estado ainda não esteja em situação de emergência, é recomendado   aos que estão planejando ter filhos aguardar até que a causa da doença tenha sido definida.

“Não se trata de uma situação de pânico, mas zelar pela saúde do bebê é fundamental. Para as que podem planejar, é recomendado aguardar que os estudos determinem a causa da doença”, afirmou.

(A Tarde)

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