
Foto: Reprodução / Redes Sociais
O repórter Marcelo Castro, que trabalha no site Alô Juca e na TV Aratu (afiliada do SBT na Bahia), tentou na Justiça censurar previamente uma reportagem da Record prevista para ir ao ar neste fim de semana, no programa Domingo Espetacular. Seu pedido, no entanto, foi negado.
Marcelo Castro é réu na Justiça da Bahia, acusado de liderar uma organização criminosa que teria desviado mais de R$ 500 mil em doações feitas por Pix para pessoas de baixa renda que eram ajudadas pelo programa Balanço Geral Bahia, exibido pela própria Record, entre 2022 e 2023. Procurada pela coluna do Folha UOL, a Record não comenta casos judiciais. A defesa de Marcelo Castro não respondeu aos contatos feitos.
A coluna teve acesso aos documentos do pedido de liminar de Castro, que foi apreciado pelo juiz João Garcia Perez Garcia, da 4ª Vara Cível de Salvador, no início da noite de sexta (15).
Em seu pedido, Marcelo Castro alegou que a reportagem tem como objetivo “prejudicar sua imagem pública, tendo em vista ser um grande âncora jornalístico, líder de audiência em seu horário”. A defesa do jornalista argumentou que a Record também tentaria “macular a opinião pública” às vésperas da audiência de instrução do caso, marcada para acontecer ainda neste mês.
“A reportagem anunciada poderá ser veiculada a qualquer momento, alcançando público de ampla dimensão e provocando abalo imediato e irreversível à imagem e à reputação profissional de Marcelo Castro”, concluiu a defesa.
Decisão
O magistrado negou o pedido de liminar de Marcelo Castro. Segundo ele, não existem argumentos no pedido que comprovassem um possível “ar sensacionalista”. Além disso, segundo o juiz, o caso é de interesse público.
“A alegação de que a reportagem viola o segredo de justiça de um processo criminal, por si só, não autoriza a proibição de sua divulgação. É necessário ponderar o interesse público na informação e a proteção da honra”, afirmou Garcia em sua decisão.
Na reportagem prevista para domingo (16), a Record promete entrevistar as vítimas que sofreram golpes com o suposto esquema do apresentador. Será a primeira vez que elas falam sobre o assunto publicamente.
Relembre o caso
Castro foi demitido em 2023 pela Record, acusado de liderar uma organização criminosa, com 12 pessoas, que desviava doações feitas por Pix para telespectadores que precisavam de ajuda entre 2022 e 2023. O fato, segundo a Justiça, acontecia quando Castro ainda era repórter da Record.
O grupo teria se apropriado de R$ 407,1 mil, o equivalente a 75% dos R$ 543 mil doados pelos telespectadores. De acordo com a investigação, R$ 146,2 mil teriam ficado com Castro, e R$ 145,7 mil teriam sido repassados para Jamerson Oliveira, ex-editor-chefe do Balanço Geral, que posteriormente foi trabalhar com Castro na afiliada do SBT.
O desvio, segundo a Justiça, ocorria da seguinte forma: o grupo arrecadava as doações e destinava aos necessitados apenas uma menor parte do valor por meio de chaves Pix exibidas na tela do programa da Record. As chaves não eram de quem, de fato, pedia ajuda, mas sim de pessoas ligadas ao esquema.
O caso só foi descoberto em março de 2023, após o jogador de futebol Anderson Talisca fazer uma doação de R$ 70 mil. O valor era para a família de Guilherme, de 1 ano, que fazia um tratamento de câncer. Em contato com Marcelo Castro, contudo, um assessor do jogador viu que o número do Pix repassado para doação não era o mesmo que apareceu na televisão. A criança mostrada na reportagem morreu semanas depois.
A Record demitiu Marcelo Castro e Jamerson Oliveira. A dupla nega qualquer envolvimento no caso. Após a demissão, eles criaram o site Alô Juca, que se tornou sucesso nas redes sociais. Com o êxito, foram contratados pela TV Aratu, afiliada do SBT na Bahia. Em março, Castro foi condenado a indenizar a emissora em R$ 10 mil, em primeira instância, por ter prejudicado a imagem da Record.







