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Com estilo ‘pancadão’, Baila Dance mistura lambada, pagode e funk

“Vem bailar, bebê!”. O convite é do cantor Marlon Góes, vocalista da banda Baila Dance, que lança hoje um disco junto ao CORREIO. Criada em Feira de Santana há pouco mais de dois meses, a banda já chega surfando no sucesso da lambada, que neste Verão voltou com tudo.

Só que o som que a Baila Dance faz não é exatamente aquele que estourou no final dos anos 80. “A gente chama de Pancadão da Lambada”, resume Marlon, 26, que era uma criança quando a banda Kaoma lançou Chorando Se Foi e quando o Rei da Lambada, Beto Barbosa, dominava as rádios com sua Adocica.

“Nossa música de trabalho é a Empina a Raba, uma composição minha, sensual, que tem muito do pagode e do funk também. A Bahia tem essa pegada, esse estilo eclético, e a gente traz isso para o som que a gente faz”, detalha.

A mistura se explica pela própria trajetória do vocalista, que começou, aos 12 anos, tocando cavaquinho e fazendo segunda voz na banda Prakebr’art (uma referência ao Pagodart, uma das maiores bandas de pagode na época). Aos 18, lançou um grupo próprio, o Kole i Pan, também de pagode. Saiu para tentar a arrochadeira na Top das Galáxias, voltou para o pagode, e agora se aventura na lambada, onde nunca se imaginou cantando. O convite veio do empresário, de forma inesperada. 

“No começo eu tomei um susto, porque eu não vinha dessa área. Rick Pimenta é um dos maiores empresários de Feira e foi ele quem me incentivou, dizendo que minha voz rolava para essa área também. Ele teve essa visão. Começamos a montar o projeto no fim do ano passado e foi tudo muito rápido. Eu tinha algumas composições guardadas e oito das 16 faixas do disco são minhas. Entramos no estúdio, gravamos, saiu e graças a Deus está chegando”, comemora. 

Mas nem tudo foi tão fácil. Nesse meio tempo, Marlon teve de lidar com os fãs, que o criticaram por investir em gêneros musicais tão diversos em menos de cinco anos. “O pessoal fala porque gosta de ver o Marlon no pagode, mas quem é fã de verdade acompanha você em qualquer estilo. Eu vejo isso como uma crítica de pessoas que não têm muita visão de mercado. Eu compreendo que tudo é trabalho. Se eu estava em uma banda, com todo respeito à banda passada, que não estava tendo uma agenda de show, que não estava dando o retorno financeiro, eu precisava buscar outras coisas. Esse convite, esse projeto, era uma oportunidade única na minha vida, então eu tive que abraçar”, diz, ao avaliar que hoje, depois de três meses, as pessoas já estão entendendo. “Estão vendo que eu saí e estou colhendo os frutos. A Baila Dance está na televisão, no rádio, no jornal, está na mídia”, completa.

Na estrada 
A banda já começou estourada, puxando um trio independente na terça-feira de Carnaval, em Salvador. Com seus nove músicos e seis dançarinos, se apresentou com sua formação completa na já quase quarta-feira de Cinzas. “Saímos 23h e a Barra-Ondina ferveu. O povo se jogou na Lambada, ninguém queria que o Carnaval acabasse”, recorda.

(Foto: Mauro Akin Nassor/ Arquivo CORREIO)

Agora, eles se preparam para a maratona de shows – já tem apresentação garantida inclusive nos estados do Pará e Maranhão. Na Bahia, eles tocam dia 29 em Itaberaba, e no dia 30, em Araci. Em abril, já estão fechados shows em Tapiramutá e Mundo Novo. As expectativas também são altas para a Micareta de Feira de Santana e o São João. “A Baila Dance tem até um sanfoneiro. Lambada não é uma música de época, toca em Carnaval, em São João, em Micareta, o ano todo. Nossa agenda reflete essa procura”, comenta Marlon.

Pancadão 
Junto ao ritmo dançante e sensual da lambada, uma linguagem que fala abertamente sobre malandragem e sexo, típica do funk e do pagode. Compositor de metade das músicas, Marlon diz que é preciso haver um limite. “Nosso ritmo pega muito as crianças, os adolescentes, então a gente não deve estar fazendo certas apologias, falando palavras ofensivas, pornográficas. Lógico que o duplo sentido é bem-vindo, mas temos que ter cuidado para não estar constrangendo esses públicos”, defende ele, que além de Empina a Raba, assina Vai Descendo, Sou Raparigueiro, Eu Quero É Curticão, Tu Vai Sentar, Vem Ver, Pulsa e Bate, e To Bebo.
No disco, ainda há regravações, como a da música Samara, e versões, como a de Chorando Se Foi, do Kaoma. 

Para ele, mais que a aproximação com o funk, o pancadão da lambada é descrito assim por conta do  “som forte, do paredão, da minha voz grave”.

Se ele se garante no quesito voz, na dança admite não ter a mesma habilidade. “Rapaz, eu não sou muito fã de dança não, mas tento agitar e fazer o balanço. Tento um passinho e outro. As meninas [dançarinas] estão pegando no meu pé para eu participar dos ensaios, mas está tudo tão corrido”, diz, rindo. (Correio24hrs*)

(Foto: Reprodução)